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Detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estêvão Pinto trabalham como costureiras no Carnaval de Belo Horizonte

Pelo segundo ano consecutivo, detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estêvão Pinto (Piep), em Belo Horizonte, ajudam a fazer o carnaval da cidade. São elas as costureiras responsáveis pelas fantasias da escola de samba Chame-Chame, que desde 2008 mantém parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para fornecimento da mão-de-obra especializada em bordado e acabamento necessário à realização das peças.

Para o Carnaval 2010, nove presas trabalham desde 19 de janeiro na fabricação de mais de 200 fantasias nas oficinas de costura da Piep, que serão entregues até o dia 12 de fevereiro, véspera de Carnaval. Para comemorar o sucesso da parceria, a Superintendência de Atendimento ao Preso (Sape) e a Chame-Chame reuniram sete das artesãs na quadra da escola, no bairro Salgado Filho, para um teste com as fantasias e ensaio da bateria da agremiação.

“A bateria da Chame-Chame é nota 10 e elas são também. Elas são feras, o trabalho é excelente” elogia Cláudia Thomé, rainha da bateria da Chame-Chame. Com 500 integrantes, a escola desfila desde 2008 e conquistou no ano passado o terceiro lugar do Carnaval de Belo Horizonte, com fantasias produzidas na Piep e no Centro de Referência da Gestante Privada de Liberdade, outra unidade prisional para mulheres em Vespasiano, região metropolitana da capital. Para o presidente da Chame-Chame, Patrício Thomé, a parceria com o Sistema Prisional é positiva para os dois lados. “Ela ajuda a escola, que não tem muitos recursos e ajuda as presas. É um trabalho importante de ressocialização. Mas o mais importante é que elas se sentem felizes com isso”.

O superintendente de Atendimento ao Preso da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), Guilherme Augusto de Faria Soares, explica que, para a população carcerária, o trabalho é muito mais do que uma forma de juntar dinheiro ou reduzir a duração da pena. “Trabalhando, ele deixa de ser “preso” e passa a ser novamente um trabalhador”. O trabalho é também um reencontro com a comunidade. Segundo Soares, para as presas, o mais importante é o resgate da cidadania.“Especialmente no caso da escola de samba, elas têm a oportunidade de participar de algo que é comunitário, que pertence ao bairro, que todo mundo ajuda a construir. A última coisa em que elas pensam é dinheiro”.

Aldeniz Resende de Oliveira está desde maio de 2009 na Piep e começou a trabalhar assim que acabou seu período de triagem. “Trabalhei principalmente com costura. Como hoje eu sei costurar, cada vez que uma firma precisa de costureira eu sou chamada”. Ela explica que fabricar fantasias é diferente da costura tradicional: “São coisas pequenas, colocar enfeites, então é preciso mais habilidade. O trabalho é cuidadoso, tem que ter calma”. Trabalhar para o Carnaval foi uma novidade para Aldeniz: “Antes eu trabalhei com outras técnicas: costura reta, overlock, despontadeira. Agora, sei trabalhar com todas as máquinas, aprendi na Piep”. Ela pretende continuar na profissão depois que sair do sistema e tem certeza que a experiência vai ajudar. “Vou continuar costurando em casa e procurar confecções que trabalham com costureiras caseiras. Amei o trabalho”.

Já para Naiani Teixeira Lima, 23, o trabalho para a Chame-Chame não é novidade. Ela participou do projeto no ano passado e continua gostando de participar, mesmo que indiretamente, do Carnaval. “Estamos torcendo muito pela Chame-chame, já virou a nossa escola do coração!”. Além de uma eventual vitória da escola de samba favorita, Naiani tem mais razões para comemorar em fevereiro: este mês ela começa o curso de Direito no Instituto Isabella Hendrix. Ela terminou o 2º grau na prisão, passou no vestibular e ganhou uma bolsa integral da faculdade. “Todas as oportunidades na prisão eu aproveitei: fiz curso de informática do Senai, curso de telemarketing, oficina de costura. O importante é sair da unidade pensando diferente, tendo aprendido muitas coisas”. E sambar? Ela ri: “isso eu já sabia!”

Ganhos com as parceiras

Para os detentos, oportunidades de trabalhar e construir a cidadania. Para parceiros do Sistema Prisional como a Chame-Chame, um ganho duplo: financeiro, porque a instituição não estabelece vínculo empregatício com os presos e não precisa pagar encargos sociais, uma vez que a responsabilidade pelo trabalho é do Estado. E também o ganho em termos de imagem institucional, já que a organização passa a ser reconhecida como cidadã, que pratica responsabilidade social. Atualmente, segundo o superintendente Guilherme Soares, o Sistema Prisional mantém 214 parcerias com organizações públicas e privadas para absorção de mão de obra dos presos. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, Minas Gerais tem o maior percentual de presos trabalhando do país. Hoje, são 5.113 detentos trabalhando em todo o Estado.

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