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Novos ministros: interação entre os três são motivo de dúvidas para economistas

Segundo analistas, Dilma fez concessão ao mercado para preservar parte dos gastos da área social. Grau de autonomia é motivo de dúvidas.

Para Antonio Correa de Lacerda, economista da PUC-SP, Dilma é e continuará sendo a dona da política econômica.

Fonte: Folha de S.Paulo

Analistas duvidam de autonomia de Levy

Interação com Nelson Barbosa, que tem visão econômica antagônica, é vista como possível foco de tensão

Vazada na semana passada, a oficialização da trinca Joaquim LevyNelson Barbosa e Alexandre Tombini na equipe econômica não causou surpresas, mas o grau de autonomia e a interação entre os três são motivo de dúvidas para economistas e analistas do mercado.

Há receio sobre o quanto Dilma Rousseff será presente na condução da economia e se Levy terá carta branca para fazer os cortes necessários.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o primeiro desafio de Levy será convencer a presidente sobre a necessidade de um ajuste profundo, como o de 1,2% do PIB sugerido por ele. “A bola está com a presidente em vir a público e assinar embaixo, sem contestação, tudo o que o novo ministro está sugerindo”, afirmou.

Para Antonio Correa de Lacerda, economista da PUC-SP, Dilma é e continuará sendo a dona da política econômica. A presidente, afirmou ele, fez uma concessão ao mercado ao nomear Levy, com o objetivo de preservar os gastos na área social. “Entregaram os anéis para ficar com os dedos. O mercado é insaciável e vai exigir mais. Vejo mais diálogo e uma mudança na comunicação das estratégias do governo, que foi falha no primeiro mandato”, disse.

“Serão dois anos de austeridade para ter dois anos de gastança. Mas acredito que Levy terá um grau alto de liberdade; caso contrário, ele não teria aceitado o desafio”, diz Marcos Weigt, especialista em gestão de riscos da SH Global Kapital.

FOGO AMIGO

Levy e Barbosa são vistos como de personalidades e visões econômicas antagônicas, o que poderá ser uma fonte recorrente de estresse.

Um colega de Levy à época do governo Lula diz que, se ele conseguir se entender bem com Barbosa (o que, segundo esse colega, será difícil), os dois serão complementares no trânsito político: Levy com mercado e Barbosa com a esquerda e empresários desenvolvimentistas.

Conta a favor disso o fato de não serem exatamente vaidosos, apesar de serem “gasosos” –querem ocupar todo o espaço que lhes derem.

O presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, que foi chefe de Levy até o início da semana, concordou que ele e Barbosa “se complementam” e dão unidade a um governo que almeja o controle da inflação, austeridade fiscal e reformas modernizadoras. O banqueiro fora convidado, mas recusou o posto de ministro de Dilma Rousseff.

Para o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Murilo Portugal, a presidente fez “excelentes escolhas”. “Esperamos que essas indicações contribuam para a retomada da confiança, o que, como os mercados indicam, já começou a ocorrer”, disse, em nota.

O presidente do Itaú Unibanco também aprovou a escolha. “São profissionais altamente qualificados e confio que conduzirão a política econômica de forma segura e visando a retomada do crescimento do PIB“, afirmou Roberto Setubal.

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